Sicario: Dia do Soldado
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Transformar um filme singular, de alta qualidade, em uma franquia de thriller político/policial era a tarefa principal de Sicario: Dia do Soldado, além de manter a qualidade de um filme que, há três anos, foi dirigido por um dos melhores diretores da atualidade, Denis Villeneuve. Stefano Sollima, cineasta italiano, não tem em currículo uma obra que justifique a sua escolha para o cargo de diretor, o que torna ele e Sicario: Dia do Soldado duas grandes apostas.

Fazer de um filme uma franquia requer planejamento e uma boa ideia, ambos estão em falta por aqui. A primeira proposta do filme é seguir o padrão visual de Denis Villeneuve no longa anterior, como se fosse uma herança que Sicario (franquia) ganhou do diretor. O longa simula a maestria visual de Villeneuve de forma atraente, o problema disso é que o diretor canadense de A Chegada e Blade Runner 2049 não deixou herança alguma para Sollima, pois tudo o que o filme tenta emular de Sicario: Terra de Ninguém é na verdade a assinatura de Villeneuve, e isso só o próprio diretor é capaz de fazer.

Com isso, falta personalidade em Sicario: Dia do Soldado, deixando o ar de ser o filme de um diretor que claramente não o fez. Apesar de que, em alguns momentos, o visual seja interessante, a qualidade do texto parece não acompanhar a tentativa de qualidade visual acima da média do longa. Se por um lado o filme anterior tinha cenas marcantes, intensas e imersivas, este é um thriller de ação que não surpreende e apenas se leva a sério por entender que sua história precisava dessa abordagem.

Em meio aos equívocos há um acerto: Benicio Del Toro. Remanescente do primeiro filme, seu personagem ficou com uma história em potencial ao fim de Sicario: Terra de Ninguém, sendo ele, talvez, o que o novo Sicario pudesse oferecer de melhor. E foi, por boa parte da projeção.

Sicario: Dia do Soldado
Reprodução/IMDb

A falha de Sicario: Dia do Soldado foi ser conveniente demais. Stefano Sollima tentou, de todas as formas possíveis, usar a assinatura de Villeneuve como a “personalidade” da franquia, emulando ainda a trilha sonora (muito boa, por sinal) de Sicario: Terra de Ninguém. Mas, mesmo com um roteiro envolvente na primeira hora de filme, a história deixa nítido que tudo vai bem demais e, principalmente, que tudo dará errado. Esse é o momento que a bagunça começa.

Josh Brolin (Vingadores: Guerra Infinita e Deadpool 2) surge como o principal combustível de Sicario. É o seu personagem que faz a trama se desenrolar, mesmo sendo o Josh Brolin de sempre, com um personagem que se encaixa no seu estilo, e não o contrário. Contudo, para as necessidades do filme, que por si só é uma obra “carrancuda“, Brolin e o seu personagem servem muito bem.

Sicario: Dia do Soldado se marca como um filme irregular, que tenta imitar um ótimo filme, seu roteiro, assinado por Taylor Sheridan, mesmo do primeiro filme, abre mão de qualquer subjetividade para entregar todas as respostas ao público. O texto mastigado perde o prestígio de um dos pontos fortes do longa anterior: sua capacidade de ser suficiente para o entendimento alheio, sem a necessidade de se expor verbalmente para o espectador.

Sicario: Dia do Soldado
Reprodução/IMDb

Marcado por equívocos que comprometem o resultado final, Sicario: Dia do Soldado é uma mescla de derivado com antologia que se faz dispensável. O longa tenta resgatar elementos que não pertenciam a Sicario como franquia, mas sim a assinatura de um grande diretor, o qual Stefano Sollima não consegue ao menos imitar. Além disso, Sicario: Dia do Soldado perde a chance de acertar quando traz Alejandro (Benicio Del Toro) de volta, em uma jornada que leva o personagem para lugar nenhuma.

A idealização de Sicario como franquia, sem ao menos ter em mãos um material base de qualidade – além de ter Emily Blunt, protagonista do primeiro filme, como uma carta fora do baralho -, acabou não se justificando. Havia potencial para algo mais interessante, que pudesse manter o caráter imersivo de Sicario: Terra de Ninguém, mas temos aqui uma história que tentativa se tornar uma franquia.

Avaliação
Avaliação: Fraco
5.0
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Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid's Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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