O Primeiro Homem
Reprodução;IMDb

Apesar da juventude, 33 anos, Damien Chazelle se afirma como um dos grandes talentos que apareceram nesta década. O cineasta conta com três trabalhos distintos, mas todos com qualidade técnica acima da maioria (tanto que os dois anteriores, que o fizeram ter tal status, figuraram na principal premiação do cinema).

Whiplash – Em Busca da Perfeição é um trabalho intenso, e até visceral. La La Land – Cantando Estações, por outro lado, é um espetáculo de música, cores e emoções, que, aliás, faz com que se espere muito de Chazelle em seu mais novo trabalho: O Primeiro Homem.

Contando a história de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, o cineasta abre mão do espetáculo para trazer uma abordagem intimista ao mostrar a trajetória do protagonista até a realização do feito histórico. Ryan Gosling, que estrelou o filme anterior do diretor, retoma a parceria com Chazelle para protagonizar O Primeiro Homem, ao lado de Claire Foy, recente vencedora do Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, por The Crown (da Netflix).

Chazelle tem talento e habilidade para encantar durante a projeção, e logo nos primeiros minutos, colocando seus personagens em uma situação intensa, percebe-se que o longa não vai priorizar o feito, em si, mas sim os envolvidos na história. A abordagem intimista provoca um sentimento de que tudo terá grande sensibilidade, dando destaque emocional à trama do filme.

O Primeiro Homem
Reprodução/IMDb

Se preocupar com o lado humano e fazê-lo crível aos olhos do público pode ser um dos principais feitos de O Primeiro Homem. A construção do tom, aqui, está atrelada a tal sensibilidade, e o trabalho de humanizar os personagens torna-se primordial para o filme – fazendo com que tudo esteja concatenando com o seu principal objetivo, o que nem sempre acontece. Contudo, trazendo essa exigência emocional, era necessário que o elenco – cheio de rostos conhecidos – entregasse esse sentimentalismo (sem ser piegas).

No entanto, é nisso que, talvez, O Primeiro Homem se faça insuficiente. Criar a expectativa de entregar emoções vibrantes, e dar, na verdade, um resultado ameno, provando que apesar das boas intenções, Damien Chazelle não consegue de fato emocionar o público – a trilha sonora, sempre marcante nos seus filmes, aliás, carrega o que este (filme) não consegue transmitir, em sua maioria.

O acontecido, recém citado, atrela-se também a inexpressividade do protagonista. Ryan Gosling tem charme, como visto em La La Land, podendo ser frio e carregar peso, como foi em Blade Runner 2049, mas em O Primeiro Homem, nem sempre, o ator entrega o que o drama precisa e se mostra limitado dentro da sensível proposta do diretor.

O mesmo não se repete com sua parceria. Claire Foy se destaca em relação ao colega, e ela, sim, entrega aquilo que o drama lhe exige em pontos dramaticamente importantes da história.

O Primeiro Homem
Reprodução/IMDb

O Primeiro Homem consegue extrair momentos de exaltação, onde as partes cruciais da história se sobressaem e quebram a monotonia dramática pouco envolvente da sua proposta. O agravante, ainda, é que o longa não tem o mesmo fôlego de outros pequenos grandes momentos, justamente quando o seu ápice deveria acontecer. A narrativa permanece sempre nivelada, sem uma crescente que faça o tempo de sua projeção apresentar uma história gradualmente emocionante.

Eficiente ao mostrar a dor das perdas envolvidas na corrida especial, enfim com sentimentos palpáveis, O Primeiro Homem entrega sinceridade e verdade na visão intimista de Damien Chazelle, que necessitava de mais emoção, é verdade, e mesmo carregando o peso requerido, falta vibração no novo trabalho do diretor.

O Primeiro Homem deve chegar com certa força nas premiações, afinal, mesmo não acertando em tudo, o longa tem qualidade técnica, como se poderia esperar do caprichoso cineasta que está a frente do projeto. Visualmente bem construído e resolvido, O Primeiro Homem não atinge todo o potencial que parecia estar desenhado.

Avaliação
Avaliação: Bom
7.5
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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.