Steven Yeun (centro) em cena de Minari - Em Busca da Felicidade | Crédito: Cortesia / Diamond Films

Dramas que carregam a tendência de emocionar são um tópico ambíguo nas premiações. Por vezes apelativos, dificilmente conseguem aprovação de público e crítica. Os fatores que determinam isso sempre variam. O caso de Minari – Em Busca da Felicidade, no entanto, está junto com aqueles longas-metragens que acabam bem sucedidos.

A história, escrita e dirigida por Lee Isaac Chung, acompanha a família de Jacob (Steven Yeun) que, na década de 1980, vai morar em uma fazenda no Arkansas – um dos estados norte-americanos. Lá, os pais do pequeno David (Alan Kim) e da jovem Anne (Noel Cho) trabalham separando filhotes de galinha por gênero (macho ou fêmea). Mas o que realmente querem é que sua plantação de alimentos sul-coreanos seja o seu principal sustento.

Minari – Em Busca da Felicidade é sobre o sonho americano e isso é indiscutível. O cinema, embora repita fórmulas e ideias, ainda tem capacidade de formatar roupagens diferentes para estes mesmos tópicos. É isso que Lee Isaac Chung faz neste longa. O que confirma isso é que o diretor, assim como os personagens, é filho de imigrantes da Coréia do Sul.

Muito do que há em Minari é inspirado nas memórias do seu diretor. Por isso, talvez, a obra seja uma espécie de abraço carinhoso. Embora essa seja uma afirmação muito subjetiva, há elementos no filme que evidenciam isso. Além das cores que são uma alusão a uma certa nostalgia, a estética do longa traz pequenos traços de uma gravação antiga, com falhas em branco aparecendo vez ou outra na tela.

O detalhe pode passar batido por olhos menos atentos, mas está ali para representar que a história é contata pela ótica de alguém que carrega lembranças carinhosas do seu passado. Isso acontece sem que a cultura daquelas pessoas se perca. E para que todo esse apelo emocional funcione, não basta uma trama emocionante, é necessário ter personagens interessantes e sensibilidade.

Alan Kim como David em cena de Minari – Em Busca da Felicidade | Crédito: Cortesia / Diamond Films

Esses requisitos não faltam em Minari – Em Busca da Felicidade, sobretudo quando a presença de David (Kim) e sua avó, Soonja, são as mais marcantes e envolventes do filme. É bárbaro o que o pequeno ator, de apenas sete anos, consegue realizar ao lado da experiente e igualmente excelente Yuh-Jung Youn. Não à toa ela venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e ele recebeu o prêmio de Melhor Ator Jovem no Critics’ Choice Awards.

Embora a história de Minari concentre-se no drama dos pais e na busca por uma vida melhor para os filhos, a subtrama da criança com o sopro no coração e a relação com a avó recém chegada da Coréia do Sul roubam a atenção. Alan Kim e Yuh-Jung Youn elevam o filme, e juntos conseguem trazer emoções genuínas para a tela.

Minari – Em Busca da Felicidade é emocionante sem ser piegas ou ao menos apelativo. Fruto da sensibilidade de Lee Isaac Chung. As vivências do cineasta fazem a diferença, e somadas a todos os atributos que compõem a realização do longa-metragem, dão ao público a chance de se importar com a história e os seus personagens. Criar esse tipo de relação com o espectador é muito importante para a posteridade. Minari é um filme que fica guardado com carinho, muito mais no peito do que na cabeça.

Avaliação
Ótimo
8.0
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Criador da Matinê, está no 6º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.