Cena do filme 'Um Forte Clarão'. | Imagem: Divulgação

Compondo a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Um Forte Clarão traz uma jornada de intensa subjetividade. A estreia da cineasta Ainhoa Rodríguez acompanha a rotina de algumas pessoas em um pequeno vilarejo. E o filme mostra como “um forte clarão” afeta essa comunidade.

A história está condicionada a um grande estudo semiótico a partir da atenção do espectador. Para fazer o público embarcar nesta onda, seria necessário prender a atenção do mesmo. A estratégia utilizada pela diretora mistura ficção com documentário, muito pelo formato de captação das cenas. Alguns diálogos parecem com depoimentos, o que tem certo charme e boa intenção.

A narrativa, porém, é dominada por um marasmo insistente. Apesar disso, Um Forte Clarão ainda deixa uma pulga atrás da orelha, e desperta minimamente a curiosidade de entender o que está acontecendo.

Há cenas em que a subjetividade toma conta, como a das mulheres dançando (talvez não descrever a cena seja interessante para quem já assistiu ou ainda irá conferir o longa-metragem). Mesmo em uma Mostra, onde geralmente as obras exibidas são diferentes do convencional do cinema comercial, Um Forte Clarão conta uma história que por vezes tem sua mensagem dificultada pelo próprio filme.

Com isso, mesmo que às vezes a subjetividade do olhar da diretora seja atraente, há momentos em que ela dificulta a aproximação da obra com o espectador. Logo, não há problema em usar o subjetivo, mas se este fosse um artifício uniforme em cada um dos plots, a história se tornaria mais vistosa.

Cena do filme ‘Um Forte Clarão’. | Imagem: Divulgação

Mesmo que narrativamente Um Forte Clarão deixe a desejar, as histórias podem ser interessantes por si só. Antes da subjetividade existe a documentação desses enredos, e alguns, embora confusos por conta da edição, ainda trazem impacto e despertam o interesse. No entanto, a montagem da narrativa torna o trabalho subjetivo da obra mais complicado, pois por vezes o filme não mostra bem para onde está indo.

A Competição Novos Diretores é uma das categorias mais interessante da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, justamente por trazer essas novas perspectivas do fazer cinema e de tentativas ousadas de como contar uma história. A subjetividade, de qualquer trama, sempre ficará a cargo da visão de quem está contando, e dependerá bastante do receptor também. Neste caso, alguns componentes do filme e de escolhas totalmente criativas da equipe de produção ditam a experiência individual de cada espectador com peça.

Avaliação
Regular
5.5
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Criador da Matinê, está no 6º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.