
Na última quinta-feira, 27, os cinemas brasileiros receberam a estreia de Quando Chega o Outono, novo filme dirigido pelo cineasta francês François Ozon. O drama familiar aborda o segredo que envolve os conflitos entre uma mãe e sua filha, além de colocar na mesa assuntos que instigam discussões.
Em seu novo filme, o cineasta parisiense resolve observar nos primeiros minutos a vida de Michelle (Hélène Vincent). Aposentada, ela cuida da casa, do pátio e divide algumas horas com a melhor amiga, Marie-Claude (Josiane Balasko).
A vida pacata de Michelle ganha contornos mais emocionantes com a chegada da filha, Valérie (Ludivine Sagnier), e do neto, Lucas (Garlan Erlos e Paul Beaurepaire). A partir da presença deles, Quando Chega o Outono começa a mostrar que há algo escondido em sua história.
Inicialmente, Michelle parece ser uma idosa amável, que vive seus dias na tranquilidade do interior e procura na cozinha uma forma de prazer. No entanto, ao mostrar a relação dela com Valérie, Ozon deixa claro que o passado tornou conturbada a relação da mãe com a filha.

A filmografia de François Ozon tem entre suas características a relação com temas sensíveis. É costume do cineasta francês desafiar a moral do espectador. Em Quando Chega o Outono, o diretor faz isso a partir do momento em que Vincent (Pierre Lottin) entra em cena.
O personagem é filho de Marie-Claude e está de saída da prisão. O crime que o levou até lá não é exposto com precisão, mas a inserção do personagem na história é o primeiro elemento dúbio da narrativa. Ozon busca por provocações, afinal, de quem seria mais fácil o público desconfiar: de alguém que recém saiu da prisão ou de uma idosa amável?
Não se trata do que essas pessoas fazem ou fizeram, embora o filme reserve algo importante para Vincent, mas sim sobre o olhar que o espectador tem a partir das informações que lhe são oferecidas. É nesta dubiedade que François Ozon pode fisgar a atenção da audiência.
Embora, então, não seja sobre o passado, o filme aborda o presente a partir das consequências daquilo que já aconteceu, da mesma forma que fala sobre o que irá acontecer a partir do agora.
Ambientado na Borgonha, Quando Chega o Outono marca o 23º título da filmografia de François Ozon. Aos 57 anos, o diretor francês traz para os cinemas, mais uma vez, uma história que tende a intrigar os espectadores. Com este filme, o cineasta faz um novo exercício bem-sucedido do próprio estilo.
Assista ao trailer de Quando Chega o Outono
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