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Da esquerda para a direita: "Sorry, Baby", "Uma Batalha Após a Outra" e "Pecadores". | Imagens: Reprodução.

Em 2025, grandes histórias foram contadas no cinema. Em retrospectiva do ano passado, a Matinê Cine&TV selecionou os seus longas-metragens favoritos do último ano.

Da importante visão de comunidade de Luciano Vidigal em Kasa Branca, à melancolia gótica de Robert Egger em sua versão de Nosferatu, passando pelo Recife de 1970 de Kleber Mendonça Filho e chegando no filme que define o mundo dos últimos anos com a precisão e o talento de Paul Thomas Anderson, os favoritos da Matinê em 2025 não são uma lista definitiva dos melhores filmes do ano, mas uma seleção de histórias que de alguma maneira impactaram o cinema com sua relevância atual, qualidade cinematográfica e artística. São longas que instigaram ou provocaram o público e a crítica a olhar para fora das suas janelas ou para dentro de si.

Além da qualidade dos títulos, um dos critérios utilizados para a seleção foi o lançamento comercial dos filmes nos cinemas brasileiros. Com isso, alguns filmes importantes que a Matinê teve acesso antecipado e cujos lançamentos estão marcados para 2026 no Brasil ficaram de fora da lista – que você confere abaixo.

Favoritos da Matinê em 2025

10 – Kasa Branca | Direção: Luciano Vidigal

Imagem do filme Kasa Branda (2025)
Cena do filme “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal. | Imagem: Reprodução/TMDb.

Olhar para a comunidade a partir dos olhos de Luciano Vidigal é conhecer o poder da coletividade. Diferente de muitos favela movies que observam esses locais como sinônimos de violência e tragédia, Kasa Branca une a vida de três amigos que constroem uma rede de apoio e ajudam uns aos outros nos desafios impostos pelo cotidiano.

9 – Máquina do Tempo | Direção: Andrew Legge

Imagem do filme Máquina do Tempo
Imagem do filme Máquina do Tempo, de Andrew Legge. | Imagem: Reprodução/IMDb.

A mistura de found footage, ficção científica e câmeras russas da Segunda Guerra Mundial resulta em uma das joias do cinema em 2025. Longe dos holofotes, o filme que vinha em circuitos de festivais desde 2022 chegou no início do ano passado aos cinemas do Brasil. Máquina do Tempo observa a criação de LOLA, um aparelho capaz de interceptar sinais de transmissão que rompem a barreira do tempo. No meio da guerra, duas irmãs tentam mudar os rumos do conflito, mas mexer com a temporalidade do presente a partir dos resultados disso no futuro pode mudar o curso da história.

8 – Nosferatu | Direção: Robert Eggers

Imagem do filme Nosferatu (2025)
Lily-Rose Depp em cena do filme Nosferatu, de Robert Eggers. | Imagem: Reprodução/IMDb.

A nova versão de Nosferatu mesclou a homenagem ao clássico em um estilo gótico moderno com a precisão do estilo de Robert Eggers. Contando com Bill Skarsgard como Conde Orlok e Lily-Rose Depp, Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson, Nicholas Hoult, Emma Corrin e Ralph Ineson no elenco, o filme cria uma atmosfera ímpar para navegar pelo íntimo do vampiro e seus personagens.

7 – O Brutalista | Direção: Brady Corbert

Imagem do filme O Brutalista
Adrien Brody em imagem do filme O Brutalista. | Imagem: Reprodução/IMDb.

Vencedor de três prêmios no Oscar do ano passado, O Brutalista chamou a atenção não apenas pelo intervalo de 15 minutos no meio do filme, mas pela jornada dramática que Brady Corbert e Mona Fastvold escreveram para Adrien Brody dar vida na tela do cinema. O reconhecimento para a fotografia e a trilha sonora original para filme na premiação exaltam a qualidade do arranjo que eleva não apenas a história, como também o potencial dramático do desempenho do elenco.

6 – O Agente Secreto | Direção: Kleber Mendonça Filho

Imagem do filme O Agente Secreto
Imagem do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. | Imagem: Divulgação.

Um dos grandes filmes brasileiros do ano, O Agente Secreto é uma criação da mente imparável de Kleber Mendonça Filho. O diretor, mesmo reconstruindo o Recife de 1970, olha a toda o momento para a história do Brasil de ontem e hoje. Em um tom ácido de pirraça, o cineasta cria um filme que transita entre gêneros e temas para construir uma história envolvente repleta de personagens e subtramas interessantes que fundamentam O Agente Secreto como um dos grandes filmes brasileiros dos últimos anos.

5 – Pecadores | Direção: Ryan Coogler

Imagem do filme Pecadores
Cena do filme “Pecadores”, de Ryan Coogler. | Imagem: Reprodução/IMDb.

Um dos filmes de maior personalidade de 2025, Pecadores mistura horror e fantasia em uma trama sobre ancestralidade e liberdade. O grande elenco e a precisão técnica do filme de Ryan Coogler foram o suficiente para que este longa-metragem se tornasse uma das melhores experiências cinematográficas do cinema no ano passado. As canções originais na voz de Miles Caton elevam ainda mais os grandes momentos do filme.

4 – Foi Apenas Um Acidente | Direção: Jafar Panahi

Imagem do filme Foi Apenas Um Acidente
Imagem do filme Foi Apenas Um Acidente, de Jafar Panahi. | Imagem: Reprodução/IMDb.

O que seria uma narrativa de vingança se transforma rapidamente em uma comédia de erros ácida que coloca público e personagens diante de diversos dilemas morais. Tudo isso é conduzido por um dos grandes diretores iranianos deste tempo, que, através do próprio estilo, desenvolve esta trama e seus decorrentes acontecimentos com originalidade. Foi Apenas Um Acidente é, sem dúvida, um dos filmes mais inquietantes do ano passado.

3 – Valor Sentimental | Direção: Joachim Trier

imagem do filme Valor Sentimental
Renate Reinsve em cena de Valor Sentimental. | Imagem: Reprodução/IMDb.

Nem todo conflito precisa de uma resolução. Esta pode ser uma das principais máximas de Valor Sentimental, filme que analisa e investiga relações familiares e o íntimo machucado dos seus personagens. Com texto profundo, Trier trata sua criação com humanidade, dando ao elenco a oportunidade de desempenhar com excelência as linhas do roteiro escrito pelo diretor e por Eskil Vogt. Com isso, Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning colocam na tela do cinema atuações poderosas. Valor Sentimental não é um filme explosivo, mas entrega ao público um dos melhores dramas familiares dos últimos anos.

2 – Sorry, Baby | Direção: Eva Victor

Imagem do filme Sorry, Baby
Da esquerda para a direita: Naomi Ackie e Eva Victor em cena do filme Sorry, Baby. | Imagem: Divulgação/Mares Filmes.

A diretora não-binária que utiliza pronome neutro e feminino, Eva Victor, também é responsável por escrever e protagonizar Sorry, Baby. Uma história simples que trata de temas pesados e íntimos com humor, não para fazer rir, mas como uma reação natural diante de tamanhos absurdos. A história retratada em Sorry, Baby aborda um acontecimento precisamente no meio de sua narrativa. Tal ocorrido não define a personagem, nem antes e nem depois do fato. A jornada de Agnes pela cura de uma ferida cuja cicatriz sempre estará lá rende um dos longas-metragens mais bem escritos de 2025, com grande atuação da protagonista e um excelente domínio narrativo. A cena final de Sorry, Baby é tão bonita quanto dolorosa. Com este filme, Eva Victor produz arte em sua essência, tocando e incomodando o espectador.

1 – Uma Batalha Após a Outra | Direção: Paul Thomas Anderson

imagem do filme Uma Batalha Após a Outra
Teyna Taylor em cena do filme Uma Batalha Após a Outra. | Imagem: Reprodução/IMDb.

Paul Thomas Anderson parece ter olhado bastante para o mundo nos últimos anos. Uma Batalha Após a Outra é, devidamente, rotulado como um dos grandes filmes do século. Isso porque, além da qualidade técnica impressionante, da fotografia e da trilha sonora inquietante e surpreendente de Jonny Greenwood, do elenco e da mente de PTA, o longa-metragem é uma síntese de um mundo polarizado e protagonizado por extremos. A história não é sobre heróis ou vilões, mas demonstra que qualquer lado tem seus excessos. Ainda assim, Anderson encontra espaço para retratar um grupo de homens brancos de meia idade e sua ideia de controle. Uma Batalha Após a Outra não pode ser definido ou resumido em um parágrafo, nem mesmo as atuações de Teyana Taylor, Sean Penn, Benicio del Toro e companhia que segue reverberam mesmo com o fim da projeção do grande filme de 2025 e da maior experiência cinematográfica do ano passado.


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