imagem do anime Você Só Precisa Matar
Rita, protagonista do filme "Você Só Precisa Matar". | Imagem: Divulgação/Paris Filmes.

A história japonesa que deu origem ao filme hollywoodiano No Limite do Amanhã (2014) está ganhando vida nos cinemas mais uma vez. All You Need Is Kill, criada por Hiroshi Sakurazaka, chega ao Brasil como Você Só Precisa Matar a partir desta quinta-feira, 12. Agora, a nova adaptação foi realizada no estilo anime, em uma tentativa de resgatar as próprias origens.

Com direção de Ken’ichirô Akimoto e Yukinori Nakamura, Você Só Precisa Matar mostra um futuro próximo, onde a terra foi invadida por um organismo alienígena conhecido como Darol. Essa criatura que se enraíza no Japão, como se fosse uma árvore gigantesca, é responsável por soltar no mundo criaturas monstruosas que destroem tudo o que está no seu caminho. Rita, uma das sobreviventes que tenta combater diariamente o Darol, se vê presa em um loop temporal, vivendo o mesmo dia repetidas vezes enquanto tenta, quase sozinha, combater o inimigo.

Como aliado desta história, o anime em formato de longa-metragem tem a duração de pouco mais de uma hora e 20 minutos. Akimoto e Nakamura, no entanto, não utilizam o tempo ao seu favor, pois Você Só Precisa Matar tem assuntos importantes para tratar com a audiência a partir das suas entrelinhas, mas boa parte da história, antes de embarcar naquilo que importa, ocupa o tempo de tela do que o filme tem de mais interessante.

Você Só Precisa Matar é uma metáfora para problemas que dominam o mundo e ficam impregnando na vida das pessoas. Não se trata de uma questão específica, afinal, cada indivíduo vive uma história própria e diferente a cada dia que passa. O ponto do anime é que essas adversidades impedem a plenitude do amanhã.

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Darol, criatura alienígena do filme “Você Só Precisa Matar”. | Imagem: Divulgação/Paris Filmes.

Nesse contexto, Rita, a protagonista da história, ganha a oportunidade de enfrentar esse monstro repetidas vezes até que consiga compreender como derrotá-lo. No meio do caminho, Keiji, outro sobrevivente que mora no mesmo abrigo e que também está preso no loop temporal, se torna um forte aliado na luta contra o Darol.

Ao dedicar tempo de tela para a protagonista enfrentar o Darol sem avançar na própria narrativa, Você Só Precisa Matar abre mão de levar o público a acompanhar uma jornada transformadora de sua protagonista. Existe, sim, um arco de mudança que passa sobretudo pelo amadurecimento da personagem diante da sua luta contra a criatura, mas a história resolve isso com um estalar de dedos e poucas linhas de diálogos.

Com isso, a profundidade da história e o potencial das suas entrelinhas se perde no meio da aventura. A dupla de diretores, que comanda o filme a partir do roteiro de Yûichirô Kido, perde a oportunidade de desenvolver em plenitude o que há de mais interessante na obra. Embora dedique parte do seu foco à ação, o filme também não entrega sequências de lutas memoráveis, explorando o recurso como uma sequência de videoclipes. Por outro lado, mesmo optando por caminhos que aprofundam menos o longa-metragem, o traço da animação reforça o potencial da obra.

Embora a mensagem esteja entranhada no desdobramento final da narrativa, Você Só Precisa Matar desperdiça a chance de cativar o público com sua história sobre o mundo contemporâneo. As entrelinhas do que acontece com Rita e Keiji estão diretamente ligadas a dilemas do dia a dia de um mundo que não para e sequer pensa naquilo que está fazendo, mas que tem fome por um amanhã melhor.

Assista ao trailer de Você Só Precisa Matar

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