Com três indicações ao 97º Oscar, o drama Sing Sing chega aos cinemas com a intenção de conquistar e emocionar os brasileiros. Baseado em histórias reais, o filme dirigido por Greg Kwedar acompanha Divine G, interpretado por Colman Domingo, e um grupo teatral formado por detentos de um centro correcional.
No mundo real, e na obra cinematográfica, Sing Sing é uma prisão de segurança máxima localizada no estado de Nova Iorque. Da mesma forma, o Rehabilitation Through the Arts (RTA) é um programa de reabilitação de detentos através da arte que acontece dentro e fora da ficção.
Na história, Divine G foi condenado injustamente e seu contato com a arte faz com que ele participe do programa de reabilitação. O grupo formado por detentos tem o acréscimo de Clarence “Divine Eye” Maclin, que vivia extorquindo outros membros da prisão.
Ao trazer para a tela do cinema uma história que segue acontecendo na vida real, Sing Sing torna-se dramaticamente robusto. Não se trata de uma narrativa emocionante que já foi encerrada, mas sim de pessoas que continuam sendo impactadas pelo RTA.
A arte na reabilitação humana

No longa-metragem, a maioria do elenco é formada por atores que participaram ou ainda participam do projeto de reabilitação. O filme, rodado na prisão, apresenta cenas que, inicialmente, eram as gravações das audições do elenco – que acabaram sendo incorporadas ao projeto.
Desta forma, Sing Sing explora o poder da arte na recuperação da humanidade dessas pessoas. O filme não trata do que levou cada um desses indivíduos à prisão. O diretor Greg Kwedar está interessado em investigar o impacto do RTA nesses homens e no quão dispostos eles estão em embarcar nesta jornada.
Sendo assim, o filme mostra que participar do programa de reabilitação é ter um lugar para se expressar por meio de personagens e histórias que retratam o que esses homens sentem. Se por um lado a vida no mundo real e dentro dos corredores da prisão representam locais de sobrevivência, o palco é onde essas figuras buscam a desconstrução, seja do estigma que as cerca ou da própria masculinidade. “Estamos aqui para recuperar a nossa humanidade”, diz um dos personagens durante o filme.
Para que isso desabroche em tela, o diretor Greg Kwedar olha para os seus personagens com afeto. A câmera observa esses homens com delicadeza – uma clara contradição ao olhar comum que buscaria retratar a brutalidade daqueles que usam a força e a imposição para sobreviver em uma prisão.

Por outro lado, Kwedar não foge do melodrama. Desta forma, Sing Sing apresenta contornos tendenciosos, pois procura, em todos os seus recursos, emocionar o espectador. As cores quentes da cinematografia, a trilha vibrante, os monólogos em close up e o próprio texto do filme buscam uma conexão emocional com quem assiste à obra.
Embora demonstre essa tendência, Sing Sing não exagera na dose. O longa-metragem é sóbrio e sincero com a audiência. O afeto explorado pelo diretor na imagem se expande também na textura do filme. Ou seja, os personagens, além da estética, criam uma pequena comunidade com amizade, respeito e admiração, dando vida à afeição exalada pela imagem.
Com essa construção harmoniosa entre estilo, forma e intenção, Sing Sing encontra no elenco o seu coração. O indicado ao Oscar Colman Domingo é o que faz o órgão pulsar. O personagem, que apresenta repertório artístico e escreve as próprias peças teatrais, foge do arquétipo narcisista. Divine G, embora seja o membro principal do grupo, não hesita em abdicar do próprio protagonismo.
Assim como Colman Domingo, o elenco, em sua totalidade, demonstra-se capaz de tocar o espectador. Por tanto, em unidade, eles fazem de Sing Sing um filme comovente e afetuoso, como um abraço no outono.