Crítica | Fear The Walking Dead – 3ª Temporada

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Kim Dickens (Madison Clark) e Alycia Debnam-Carey (Alicia Clark) na 3ª temporada de Fear The Walking Dead
Imagem: Reprodução/IMDb

Demorou, mas Fear The Walking Dead conseguiu encontrar a sua própria identidade e o melhor caminho para conduzir sua história. A terceira temporada do derivado de The Walking Dead é facilmente a melhor que foi exibida até agora, com a história mais segura e consciente do que precisava fazer.

Sem rodeios a nova temporada começou sem misericórdia com seus personagens, algo que está dando certo desde a segunda metade da temporada passada, quando Fear The Walking Dead teve mudanças consideráveis em sua narrativa – apresentando consequências diretas no aumento de qualidade da série. No terceiro ano, o programa de Dave EricksonRobert Kirkman aos poucos começou a resolver os plots que havia iniciado, descartando o que não funcionava e incrementando o que merecia continuidade.

Com novos personagens, as tramas de Fear The Walking Dead começaram a ser mais funcionais, menos densas e cansativas. O roteiro soube o que precisava ser desenvolvido, assim como teve o discernimento de saber os pequenos plots que deveriam ser resolvidos com mais objetividade. Sendo assim, por quase toda sua temporada, Fear The Walking Dead explorou mais de um núcleo em cada episódio, dando atenção ao que era importante ao mesmo tempo em que criava pequenos motivos para movimentar a sua trama.

É verdade também que o bom momento da série relembra o ponto alto que The Walking Dead viveu quando o Governador ainda assombrava Rick (Andrew Lincoln) e o seu grupo na série mãe. No entanto, mesmo que reciclando o que já deu certo na série original, Fear The Walking Dead caminha com as próprias pernas e aprendeu a mostrar com efetividade a sua identidade – que não se resume apenas diferenças visuais de uma série para outra. A personalidade de Fear está também nos confrontos e disputas territoriais que abordou durante a temporada, trazendo um reflexo histórico dos Estados Unidos quando o homem branco se apossaram do que até então pertencia aos nativos norte-americanos.

Michael Greyeyes (Qaletqa) na 3ª temporada de Fear The Walking Dead
Imagem: Reprodução/IMDb

As tramas abordadas pela temporada ainda careciam de novos personagens, que fossem inclusive melhores do que aqueles que já haviam passado ou que ainda estavam na série. Com isso, e resolvendo também o sumiço de outros personagens, Fear The Walking Dead completou essa missão com a calma que deveria, e assim como foi apresentando novos e bons personagens, também foi eliminando aqueles que futuramente não teriam serventia para a sua história. Aliás, o mais interessante da narrativa da série nesta temporada, foi a sua capacidade de unir, separar e reunir diversas vezes o seu núcleo de personagens principais, sem que este vai e vem ficasse repetitivamente cansativo.

Com o avanço do tempo, Fear The Walking Dead também aproveitou para evoluir seus aspectos técnicos. Apresentando recorrentemente uma fotografia mais charmosa do que a já costumeira de The Walking Dead, Fear usou e abusou das locações por onde sua história se locomovia, usufruindo e tirando o melhor das suas paisagens. Consequentemente, a maquiagem dos walkers também evoluiu, chegando ao nível da série mãe.

Além de tudo isso, Fear The Walking Dead ainda consegue dosar os conflitos causados por humanos com a ameaça que os zumbis representam. Assim, a série consegue equilibrar suas tramas, sabendo qual “inimigo” usar no momento mais oportuno. Apesar disso, ainda que cheio de acertos, a terceira temporada de Fear teve suas escolhas erradas – como a insistência em episódios duplos, que deu certo na season finale, e errado quando a série voltou do hiato que ocorreu no meio da temporada.

Mercedes Mason (Ofelia Salazar) e Rubén Blades (Daniel Salazar) na 3ª temporada de Fear The Walking Dead
Imagem: Reprodução/IMDb

Uma das preocupações desta temporada, foi também a personalidade dos seus personagens. Victor Strand (Colman Domingo), Nick (Frank Dillane) e Alicia (Alycia Debnam-Carey) sempre foram os mais consolidados da história e os que sempre apresentaram uma personalidade forte e já definida. Enquanto isso, tanto os novos/recentes e antigos personagens (Madison) precisavam encontrar um novo rumo. No caso de Madison (Kim Dickens), o caminho foi facilitado pela perda de Travis, e os choques de realidade deram crescimento a personagem, porém, há algo que ainda falta na protagonista – uma consequência direta da atuação mecânica de Dickens. Além dos já conhecidos, o ingresso de Qaletqa (Michael Greyeyes) e todo o seu núcleo (que teve, ainda, o retorno de Ofelia e inserção do Crazy Dog, vivido por Justin Rain) reforçou ainda mais a busca de personalidade aos personagens.

Algo que The Walking Dead sempre fez muito bem era incrementar os seus personagens com um visual que combinava com a personalidade de cada um – Daryl (Norman Reedus) por exemplo, sempre usava roupas mais fechadas e escuras, que condiziam com o seu jeito arisco e as vezes pouco social. Esses concentos também começaram a ser replicados em Fear The Walking Dead, que aos poucos foi encontrando sua identidade narrativa, e dando essa mesma toque especial para os seus personagens. E estes, por fim, apresentam-se cada  vez mais singulares e diferentes um do outro.

Em suma, a terceira temporada de Fear The Walking Dead trouxe melhorias consideráveis a série. O roteiro, desta vez, encontrou o melhor caminho para o desenvolvimento dessa história. Além dos acertos, a temporada surpreendeu em alguns desdobramentos do seu plot principal, adicionando emoção e fazendo seus personagens serem importantes ao público. Com tantos acertos, e uma season finale sensacional, Fear The Walking Dead realmente promete e tem potencial para exibir uma ótima quarta temporada.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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