Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu (aka Baby Yoda) em imagem da série The Mandalorian do Disney+ | Crédito: Divulgação/Disney+
Texto com spoilers da 2ª temporada de The Mandaloria

A carreira da primeira temporada de The Mandalorian foi surpreendente. De início, a série do Disney+ conquistou não só o público, fã de Star Wars ou não, mas sete prêmios no Emmy 2020 em categorias técnicas – e ainda uma indicação inesperada em Melhor Série Dramática. Tudo isso não se deve ao fato de integrar um dos universos mais bem sucedidos da cultura pop. Os méritos são todos do programa, que é impecável nos principais aspectos técnicos que englobam a sua narrativa. Mas estar inserida em uma mitologia tão rica facilita muito o caminho do seriado.

Veja o trailer da 2ª temporada de The Mandalorian

Embora a primeira leva de episódio de The Mandalorian seja bem sucedida e tenha uma carga despretensiosa como destaque, ainda faltava um direcionamento melhor. Os oito episódios iniciais da série tinham a aventura, o procedural espacial de Guerra nas Estrelas e uma dupla de protagonistas e outros personagens carismáticos, mas ainda faltava algo na história.

O Mandaroliano estava deixando a desejar no rumo que a trama teria, afinal por quantas temporadas Din Djarin (Pedro Pascal) iria perambular por diferentes planetas com Grogu (aka Baby Yoda)? Era difícil saber, até porque é normal uma história ser alongada para além da conta. E isso poderia acontecer aqui.

Essa expectativa é obviamente positiva para a série, pois mesmo divertida e prazerosa de acompanhar, o que Jon Favreau estaria reservando para a segunda temporada? Além da continuidade do que foi encerrado no ano um, nos primeiros episódios ficou evidente que mesmo seguindo a despretensão, algo em The Mandalorian estava afunilando cada vez mais. Ao passar da metade da segunda leva de capítulos, essa sensação se tornou realidade. The Mandalorian talvez estivesse afim de encerrar a aventura de Mando e Grogu.

Como citado antes, ter a mitologia de Star Wars consolidada por três trilogias, dois filmes solo, uma penca de animações, livros e demais produtos, facilita bastante a vida de The Mandalorian. Até então, o mais interessante era ver que em um universo que gira em torno da Força e dos Jedi ainda era possível criar algo novo e ao mesmo tempo um pouco distante disso – embora com Grogu fosse impossível deixar esses dois elementos de fora. Inserir os Jedi na trama foi um acerto orgânico, tanto para dar seguimento a história quanto também para expandir as séries da franquia. As participações vieram a calhar para o Din Djarin e deram ainda mais vida a The Mandalorian.

Enquanto em quesitos técnicos a série manteve o alto padrão, o destaque ficou para a história. A segunda temporada de The Mandalorian cresceu e amadureceu muito rápido, interligou narrativas e desenvolveu melhor os personagens. Embora seja difícil identificar a atuação de Pedro Pascal, é insensato dizer que ele desempenha um papel ruim. Ainda mais com o que esses recentes episódios exigiram do seu personagem.

Grogu (aka Baby Yoda) em imagem da série The Mandalorian do Disney+ | Crédito: Divulgação/Disney+

Com esta segunda temporada, The Mandalorian evoluiu, seja em aspectos que possam colocá-la de novo no hall de premiações ou em como essa história conquista cada vez mais os fãs de Star Wars (ou se torna um entretenimento ainda mais deleitoso para quem apenas gostou do programa). Essa linha de crescimento tem o seu auge na segunda metade da season (que serve de sinônimo para “temporada”), com as participações especiais e principalmente com a escala maior que Mandalorian atinge.

Não à toa, o episódio final decide embarcar em uma aventura que tem tudo de Star Wars. A participação de Luke Skywalker (Mark Hamill), além de surpreendente, é uma espécie de coroação ou benção a tudo The Mandalorian construiu até aqui – aqui a audácia de Jon Favreau é inegável, mas certamente autorizada por George Lucas.

Para o futuro, e sem Grogu, é evidente que muito mais da mitologia dos mandalorianos será o foco do seriado. A segunda metade desta temporada atinge um nível alto de eficiência, pois é nela que o Disney+ consolida de fato a expansão do universo de Star Wars, colocando uma parte importante da série dentro do cânone de Guerra nas Estrelas, além de servir de ponte e piloto para o ressurgimento de personagens em suas novas séries – Ahsoka e The Book of Boba Fett.

Agora, o que será que aconteceu com Grogu (Baby Yoda) no intervalo de tempo entre O Retorno de Jedi (1983) e O Despertar da Força (2015)?

Avaliação
Ótima
9.0
COMPARTILHAR
Criador da Matinê, está no 6º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.