Carey Mulligan no filme Bela Vingança
Indicada ao Oscar 2021 de Melhor Atriz, Carey Mulligan (acima) interpreta Cassie no filme "Bela Vingança". Mulligan venceu o Critics' Choice Awards e Spirit Awards de Melhor Atriz por esta interpretação. | Imagem: Reprodução/TMDb

Emerald Fennell não era um nome recorrente na indústria audiovisual até a chegada de Bela Vingança. A atriz, roteirista e diretora ganhou espaço nos últimos anos. Para os espectadores da série The Crown da Netflix, Fennell apareceu na terceira temporada como Camilla Shand.

Por trás das câmeras, Emerald Fennell escreveu seis episódios da série Killing Eve (que no Brasil pode ser assistida no Globoplay), entre alguns outros títulos. Como atriz, ainda esteve em longas-metragens como Anna Karerina (2012), A Garota Dinamarquesa (2015) e Peter Pan (2015). Assinando a direção e o roteiro de Bela Vingança (Promissing Young Woman), ela conquistou ainda mais espaço, sendo confirmada como roteirista de Zatanna (filme sobre a personagem da DC Comics).

Bela Vingança é o trabalho de estreia de Emerald Fennell como diretora de longa-metragem. Com ele, ela se credencia a um futuro promissor e digno de ser acompanhado. E logo de cara, ela conseguiu um feito importante: a indicação ao Oscar de Melhor Direção e Melhor Roteiro Original.

A história escrita por Fennell para Bela Vingança acompanha Cassandra/Cassie (Carey Mulligan) enquanto tenta lidar com um acontecimento trágico que presenciou no passado. Agora, ela busca não deixar que aquilo não aconteça novamente. Desde o começo, a direção e o roteiro se fazem notáveis no longa-metragem, compondo grande parte do espírito do filme.

As indicações para Fennell no principal prêmio do cinema hollywoodiano não foram de graça. A história, que lembra obras como Doce Vingança (2010) e a minissérie I May Destroy You (2020), subverte qualquer suposição que poderia ser feita sobre o que aconteceria no filme. E isso fica claro desde os primeiros minutos da obra.

Carey Mulligan em cena do filme “Bela Vingança”, indicado a Melhor Filme no Oscar 2021 | Imagem: Reprodução / TMDb

É notável que o olhar de Emerald Fennell sobre a história e o seu tato feminino fazem a diferença em Bela Vingança. E a mensagem que a cineasta quer trazer torna-se perceptível com o ponto de vista de Cassie (Mulligan), sobretudo nos momentos em que os homens tentam tirar vantagem dela.

Bela Vingança discute de forma inventiva o que as mulheres fazem com traumas que carregam. Muitas vezes as mulheres ficam traumatizadas física e psicologicamente, enquanto os homens seguem livres, impunes e realizados. Vez ou outra surge uma ponta de remorso nos rapazes, mas nada fazem com isso – a não se calarem.

Todas essas camadas são precisamente desenvolvidas ao longo do filme. A discussão dos temas é alavancada pela diretora ao longo de todos os acontecimentos, principalmente na medida em que o público conhece e compreende a protagonista. Aqui, o auxílio dos outros personagens também é um fator importante para que todo o subtexto do filme seja entendido.

Enquanto destaca essas discussões, a história segue interessante e com valor de entretenimento. A personagem de Carey Mulligan exige da atriz uma mistura de carisma, rancor e senso de vingança que dificilmente são vistos em outras obras. A indicação para Mulligan ao Oscar é uma coroação para o seu trabalho. Este trabalho ainda rendeu a ela os prêmios de Melhor Atriz, um no Spirit Awards e outro no Critics’ Choice.

Protagonizado por Carey Mulligan (centro), o filme “Bela Vingança” também recebeu indicações em Melhor Direção para Emerald Fennell e Melhor Roteiro Original | Imagem: Reprodução / TMDb

Apesar de ter na direção, roteiro e na atuação da protagonista os seus melhores elementos, é inegável que Bela Vingança foi brilhantemente fotografado por Benjamin Kracun. E neste caso, todos os quadros colaboram com duas realizações importantes do filme: suas intenções e a estética diferenciada que dá personalidade a obra.

Embora seja o mais pop entre todos os indicados a Melhor Filme pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Bela Vingança garante, com qualidade artística, um senso de entretenimento de qualidade. Assistir ao filme de Emerald Fennell pode garantir algumas boas reações do público, indo da diversão até as surpresas mais ambíguas.

O filme mostra o que a diretora quer e deixa evidente que ela não está preocupada com uma possível má recepção dos espectadores ao assistirem o último ato. Para Emerald Fennell, é importante que quem assista o filme entenda o que os minutos finais significam. Afinal, o cinema pode muito bem ser um retrato genuíno do real. Bela Vingança, embora com boas doses da mais pura ficção, faz uma grande alusão a problemas palpáveis que fazem parte da vida além da grande tela.

Avaliação
Ótimo
8.0
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Criador da Matinê, está no 6º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.