Crítica | Logan

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Imagem: TMDb

O ato final de Wolverine e Hugh Jackman nos cinemas é regado de violência, sangue, dor e admiração, pois o terceiro filme solo do mutante é tudo aquilo que os fãs merecem assistir. Em Logan, James Mangold entrega um filme de super-herói diferente de tudo que há atualmente no gênero.

Em 2016, a 20th Century Fox aprendeu uma grande lição com Deadpool: é possível fazer um grande filme de super-herói, fiel a obra original (HQ), se for dada a dose certa de liberdade criativa para os envolvidos no projeto. Com isso, James Mangold, David James Kelly e Michael Green tiveram um bom tempo para amadurecer a ideia de Logan, que o diretor já tinha desde Wolverine – Imortal, e trazendo com certa fidelidade uma das histórias em quadrinhos mais adoradas do personagem para o cinema.

Mais velho e debilitado, em 2029, Wolverine trabalha como motorista (ou uma espécie de Uber) para juntar dinheiro e ir embora com o doente Professor Xavier. A química entre os dois atores e seus respectivos personagens é incrível desde X-Men: O Filme, em 2000, e em Logan isso é apenas fortalecido, além de causar uma grande nostalgia para aqueles que acompanham a saga da dupla desde o começo.

Logan, além de ser um filme pessoal sobre as limitações do personagem-título, ainda traz as relações de paternidade entre seu trio principal – Wolverine, Professor Xavier (Patrick Stewart) e Laura/ X-23 (Dafne Keen) -, e assim os personagens ganham uma vulnerabilidade incrível em suas camadas dramáticas. Logan, por exemplo, nunca esteve tão sensível desde X-Men: O Confronto Final (2006). Mas aqui, a intenção é muito mais crua e realista ao aprofundar os dilemas do personagem, que já está ciente das suas novas condições físicas.

Porém, as debilitações de Logan não o impedem de mostrar cenas de ação violentamente impressionantes, que não tem medo de mostrar a brutalidade e selvageria do personagem como ela realmente é. Em Wolverine – Imortal (2013), James Mangold, apesar dos erros do meio para o final do longa, traz um destaque interessante nas lutas muito bem coreografadas, que valorizam a presença e a força dos personagens. Esta mesma virtude foi aprimorada e o diretor consegue fazer isso, ainda melhor, em Logan.

Com uma crueldade muito mais visceral, Logan não economiza em mostrar as garras de Wolverine e e detalhar a X-23 rasgando corpos, perfurando cabeças e arrancando membros dos inimigos, e assim fazendo um contraste com a falta de paciência e pudor do protagonista, cada vez mais cansado e machucado.

Mangold também privilegia o desenvolvimento narrativo da história, sem se prender a grandes explicações ou a esconder seus personagens. Sendo assim, Caliban (Stephen Merchant), agora ao lado dos mocinhos, se faz bastante presente na primeira parte do longa, onde o mesmo foi um surpresa positiva para o filme – Caliban também sofre dos mesmos efeitos do tempo que já lhe passou, tendo uma participação interessante na história. Essa narrativa, se for analisada com atenção, é bastante simples, mas são as camadas que a diferem de um longa comum (seja ele de super-herói, ou, apenas de ação).

Se de um lado há o bom trabalho entre os protagonistas do longa, com os vilões isso não se repete tão bem assim. A presença de Dr. Rice (Richard E. Grant), por exemplo, não representa uma grande ameaça, sendo a figura blasè de um doutor levemente vilanesco. Donald Pierce, por outro lado, é muito mais eficiente como antagonista, funcionando muito bem no filme. Boyd Holbrook, que interpreta o vilão, mostra o quão promissor pode ser, com uma atuação segura e carismática o ator de Narcos (série da Netflix) compõe um personagem interessante na trama de Logan.

Porém, no meio de tantos acertos do roteiro, na construção dos personagens e na riqueza dos detalhes motivacionais dos mesmos, Logan tem como seu maior mérito a jovem Dafne Keen como a incrível X-23, apresentando a origem da menina de uma forma prática e direta sem se prender, muito, aos detalhes. Laura (X-23) conquista o público com facilidade, mas ainda consegue impressionar pelos contrastes que apresenta entre a selvageria (fruto de ser forjada com os mesmos genes do Wolverine) com a inocência e curiosidade de qualquer criança normal. Além disso, há a relação paterna entre ela e o personagem-título, algo que não precisou de muito trabalho para acontecer. Também é preciso ressaltar o destaque final do grupo de crianças que acompanham a jovem, todos maduramente carismáticos.

Logan não é apenas a despedida de Hugh Jackman ou o terceiro filme solo do mutante Wolverine, Logan é, na verdade, uma exceção dentro de um gênero que está dominando o cinema há quase 10 anos (em relação ao Universo Marvel). Com todo esse tempo, é difícil um filme de super-herói ser diferente e original a nível de estrutura narrativa, mas Logan prova que ainda é possível ser diferente e ainda ser grande filme. Wolverine fará falta nos cinemas, principalmente sob a pele de Hugh Jackman, mas é uma história que se conclui de forma grandiosa e quase transformando seu protagonista em um mártir.

James Mangold encerra esse capítulo da história do Wolverine do jeito que o personagem merecia. Logan é um filme intenso, que trata de conflitos reais de uma forma nudista, sem esconder o que há por trás de tudo isso. E ainda é o primeiro filme de super-herói de 2017, mas sem dúvida será o mais marcante do ano.

Avaliação

(Ótimo)

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Comentários

Editor-chefe e criador do Matinê Cine&TV é estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Declarado fã de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, Matheus, adoraria viver um apocalipse zumbi em TWD, ou lutar contra os exércitos de Westeros em GoT, mas se contenta em assistir essas e outras dezenas de séries na vida real.

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