Objetos Cortantes

Enquanto o episódio de estreia de Objetos Cortantes (Sharp Objects) se preocupava com a volta de Camille (Amy Adams) para Wind Gap, além de mostrar como esse retorno a afetaria, Dirt, segundo episódio, muda esse direcionamento e entra de vez na investigação do sumiço das duas meninas.

O episódio muda a perspectiva do espectador sobre a narrativa, pois aqueles que conhecem a obra original sabem que a adaptação usa de sua liberdade criativa para fazer com que os personagens que estão a sua disposição tornem-se mais úteis para essa trama. Em Dirt, no caso, Kansas City (Chris Messina) ganha destaque por mover alguns passos da investigação, a partir do momento em que Camille demonstra mais interesse em ir em busca de respostas – afinal, é preciso de informações concretas para a construção da sua reportagem.

Jean Marc-Vellée consegue compreender muito bem o material que está em suas mãos. O diretor soube criar elementos novos na narrativa, que por sua vez ajudam a extrair o maior número de informações possíveis da obra original. Ou seja, até os pensamentos, ou raciocínios, de Camille ganham vida útil no enredo da série, tornando o desenvolvimento do programa mais do que satisfatório – e um deleite para quem espera uma adaptação fiel ao que Gillian Flynn criou.

Além disso, a construção do roteiro ao longo do episódio impressiona por usar de pequenos detalhes que chamam a atenção. Dito isso, em determinado momento da primeira meia-hora de episódio, por exemplo, Camille afirma que não venceu seus demônios, dizendo que estes estão apenas adormecidos. A partir disso, a protagonista passa a dar rumo a sua investigação, mas acompanha desses demônios adormecidos que a perturbam momento a momento de formas diferentes. Jean Marc-Vellée, ao compreender isso, deixa nítido em tela que a qualquer momento esses demônios podem acordar, mas a partir disso tudo pode ser uma incógnita.

Em mais um episódio bem conduzido, Objetos Cortantes segue o seu padrão de uma ótima adaptação, que traduz as linhas do livro em imagens na TV. Com um rumo que mescla o despertar do interesse do público com uma intensidade particular, e por vezes até peculiar, a série da HBO encaminha sua construção passo a passo, de forma que o seu espectador permaneça alerta para tudo o que está para acontecer.

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.