Crítica | ‘Um Namorado Para Minha Mulher’ é uma surpresa cult para o cinema brasileiro

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Imagem: Divulgação Paris Filmes
Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

Quando se trata do cinema nacional, atualmente, sempre damos duas opções: ou vai ser uma porcaria, ou a gente não dá nada para receber menos ainda. Mas em raros momentos existem algumas exceções, uma delas é Um Namorado Para Minha Mulher. Não estou dizendo que é bom ou ótimo, mas foi agradável, quase como um filme cult, ou indie. Fato é que mesmo com um elenco quase mediano, com atores fazendo personagens de outros atores, o longa consegue funcionar e entregar uma leve surpresa, que particularmente eu não esperava.

Homem burro é aquele que não valoriza a mulher que tem e prefere ouvir os amigos falando besteira do que ter confiança no seu taco e coragem para agir, é um fato indiscutível. A premissa do filme é bem simples, e pensando bem, em um posto de vista mais realista, ela é bem idiota. O marido, que deixou a relação cair no “cotidiano”, contrata um namorado de aluguel para seduzir a sua esposa e assim fazer com que eles se separem, tudo isso porque ele não tem coragem de dizer que quer se separar. Mas o jogo vira, quando sua mulher se sente valorizada de novo e arruma um novo emprego, sendo que agora ela anda mais arrumada, perfumada, bonita e tudo mais. Aí começa a bater um certo ciúme e a dor do  arrependimento, e assim está confusão está armada.

Sinceramente ele se parece com aqueles filmes brasileiros bem cults protagonizados por Alinne Moraes e Wagner Moura, que não são ruins. Os atores são bem medianos no filme, Ingrid Guimarães é a surpresa boa do longa, surpreendentemente Miá Mello está bem no filme, pois geralmente as suas atuações são bem fracas. O engraçado é realmente o papel de Caco Ciocler, que mais parece Murilo Benício e Domingos Montanger, que faz um papel ao melhor estilo Sidney Magal. Aliás, se fosse Sidney Magal estivesse no filme seria épico.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
Imagem: Divulgação/ Paris Filmes

É uma história bem simples, com um tom bem realista. O sub texto com algumas críticas é bem interessante, e combinado com o roteiro, acaba sendo bem desenvolvido. Acredito até que o longa surpreende mais pela forma como desenvolve e apresenta a história, do que propriamente por causa de atores e personagens. Agora se você pensa que por Ingrid Guimarães estar no filme faz dele uma comédia, um aviso: o que ela menos faz é rir ou fazer piadas no filme. Sua personagem é amarga, uma mistura de Dona Florinda com Dona Clotilde, só que ainda mais azeda. Lógico que em certos momentos acaba sendo bem divertido e muito interessante porque ela não deixa os sentimentos tão amostra, mas é algo que instiga você a querer entender o que está acontecendo ali, se é o marido que amornou a relação por cair no dia-a-dia ou é porque ela é chata mesmo. Pode ser um pouco dos dois, mas a culpa é dele, pela falta de atitude, não só no casamento mas na vida.

O filme traz reflexões importantes e mesmo sendo distribuído pela Paris Filmes ele tem um ar e um tom de cult e indie, e mesmo que também não tenha um elenco espetacular e personagens legais, eles se encaixam bem na história, mas tanto Chico (Caco Ciocler) como o Corvo (Domingos Montagner) incomodam durante a narrativa. Mas a história contada por Júlia Rezende (Ponte Aérea) é muito boa, mesmo sendo simples e em parte meio besta, ela se destaca, a cima desses fatores que incomodam.

Por esses pequenos motivos positivos, Um Namorado Para Minha Mulher é uma surpresa agradável, pela sua história, pelo roteiro, fotografia simples e pela maneira como a diretora conduz a história e o rumo dos personagens, sejam eles bons ou ruins. O longa é agradável e você consegue sentir uma certa empatia com a história, e por esses elogios e essa carinha de cult nacional, vale a pena dar uma conferia no drama.

 

Nota do autor para o filme:
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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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