Crítica | American Horror Story: Cult – 7×01 – Election Night

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Imagem: Reprodução/Banco de Séries

Esperar que American Horror Story entregue algo importante dentro do plot da sua temporada logo no primeiro episódio é símbolo de total inocência. Assim como em qualquer outro ano da série de Ryan Murphy e Brad Falchuk, a intenção da première é fazer o público se interessar por essa nova história e personagens. E a missão de Election Night foi cumprida com sucesso.

O episódio de estreia de AHS Cult foi instigante o suficiente para o surgimento dos principais questionamentos que o capítulo poderia provocar, sendo o mais pertinente aquele que vai direto ao ponto: qual a intenção dessa história? American Horror Story tende a mexer com a cabeça de quem a assiste, tanto de forma positiva como negativa; no caso do primeiro, é quando a série consegue ter a atenção do espectador, fazendo-o ter interesse em acompanhar a nova trama; já no segundo caso, é quando o espectador se sente torturado e entediado. Ambas as reações refletem a recorrente relação de amor e ódio que American Horror Story tem com seus próprios fãs.

Com o tema girando em torno das eleições americanas que elegeram Donald Trump, diversas reflexões surgem acerca do assunto. Todas, inclusive, muito interessantes. A política, para muitos, pode não ser o assunto mais legal do mundo, mas ela é de suma importância para a vida das pessoas. A eleição de um político influencia em diversos aspectos a vida dos cidadãos, e em parte Election Night reflete exatamente isso, mas com camadas dramáticas que deixam o assunto muito mais interessante. 

É incrível que de cara, Cult consiga rapidamente transformar o tema da temporada em um thriller de alta tensão e qualidade. Logo no primeiro episódio elogios à direção, fotografia e design de produção não simbolizam nenhum exagero, pois juntos do roteiro dramaticamente interessante, o conjunto da obra da season premiere permite essas menções.

Imagem: Reprodução/Banco de Séries

Muitos dos méritos do episódio se devem também ao elenco. Evan Peters e Sarah Paulson, de longe os mais talentosos, roubam a cena logo de cara. Kai (Peters) é um personagem enigmático e já mostra o suficiente para sabermos que muitos do melhores momentos da temporada podem ser protagonizados por ele. Paulson, ao contrário disso, interpreta Ally, uma mulher vulnerável e cheia de fobias, uma personagem ainda mais interessante e envolvente. Mas o que ambos têm em comum é capacidade de conquistar o público, são personagens opostos, um mais fechado e outro mais exposto, mas tudo dentro das mesmas proporções.

Tratando-se ainda sobre as eleições americanas, Election Night conduz de forma inteligente a reação das pessoas ao ver a derrota de Hillary Clinton, e a vitória de Donald Trump. O evento político provoca e evoca diversas reações, não apenas no momento em que o baque acontece, mas principalmente quando apresenta as primeiras consequências. É interessante analisar como essas reações são adaptadas para o tom da série, tornando a decepção natural de uma derrota em um verdadeiro pesadelo.

O episódio reproduz momentos e declarações marcantes do processo eleitoral da campanha de Hillary e Trump, as alfinetadas, os escândalos, os ataques de um para com o outro. Tudo isso de forma consciente, com a série dando as suas próprias alfinetadas, mas acertando principalmente ao não se posicionar politicamente contra ou a favor de alguém quando decide explorar os dois lados da moeda. Election Night ainda acerta nos pequenos detalhes que mostram consequências baseadas em fatos reais – principalmente quando Kai atira a camisinha cheia de urina no grupo de trabalhadores mexicanos, fazendo uma alusão ao muro na fronteira com o México, citado por Trump inúmeras vezes.

Imagem: Reprodução/Banco de Séries

American Horror Story estreia a sua temporada com um episódio competente em diversos aspectos, seja no roteiro e as suas pretensões, ou, com os seus personagens intrigantes. Mas acima de tudo, a temporada começa cheia de fôlego e qualidade, sabendo que pode ter uma identidade própria sem fugir da essência de American Horror Story, que desta vez surpreendeu ao trabalhar com um assunto, até então, inusitado, transformando-o em um thriller envolvente e cheio de potencial. Se continuar assim, sabendo exatamente para onde ir, American Horror Story pode apresentar uma das suas melhores temporadas. Cult, em suma, começa com o pé direito.

Avaliação

(Bom)

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV, estudante de Jornalismo, leitor, cinéfilo e seriador. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek e Star Wars. Na TV The Walking Dead, Game of Thrones, Shameless, Jessica Jones são alguns dos seus favoritos.

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