Divulgação/RT Feature
Estreia de Geremy Jasper na direção de longa-metragem, traz um dos filmes mais prazerosos do ano
Danielle Macdonald e Siddharth Dhananjay no filme Patti Cake$
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O mais incrível do cinema independente são as suas inúmeras possibilidades. Seja um filme rotulado como cult, de narrativa complexa, ou o mais simpático, empolgante e encantador enredo, tudo cabe nos indie movies. Patti Cake$, felizmente, é uma dessas possibilidades.

Killa B quando a autoestima predomina, Dumbo quando ela está para baixo, Patricia Dombrowski na carteira de motorista, ou só Patti Cakes, é quem o longa acompanha. A história de uma menina que vive com dificuldades financeiras no subúrbio, morando com a mãe – uma ex aspirante a estrela musical amargurada nas decepções da vida – e com a avó doente, é contada com a ótica de uma reimaginação do sonho americano mergulhado no mundo real. A graça do tal american dream sempre foi a superação de quem o protagoniza, indo, a grosso modo, do desconhecido ao estrelato.

Patti Cake$ inverte essa lógica, fazendo do seu sonho americano uma jornada dura e realista, mas não menos divertida e encantadora. Não se trata de um conto de fadas onde tudo dá certo no final, trata-se na verdade de um filme simples e honesto com uma das melhores representações do sonho de uma pessoa. Não faltam filmes que garotos da periferia que sonham em ser rappers famosos. Diferente disso, Killa P é uma jovem branca, loira, com sardas e gorda, vivendo em uma sociedade que a descrimina por ser o que ela é – chegando a ser apelidada de Pig Azalea, uma alusão a rapper Iggy Azalea junto a tradução de pig.

Viver no meio de problemas e pré-julgamentos, fora aqueles que subestimam o seu talento, não é tarefa fácil para Patti Cakes, que encontra forças para continuar lutando pelo próprio sonho junto a amizade e o romance. Se no início deste ano as salas de cinema foram agraciadas pela presença de La La Land – Cantando Estações, no final de 2017 Patti Cake$ (mesmo que mais modesto em distribuição e produção) vem para causar um impacto semelhante ao espectador que se interessar pelo filme.

Patti Cake$ é a estreia do diretor de vídeo clipes Geremy Jasper. A direção conduz brilhantemente a história, mas sabe muito bem trabalhar as cenas musicais. Enquanto a maioria dos filmes mais semelhantes a Patti Cake$ usa a música como um recurso de aceleração narrativa, Patti Cake$ esbanja a musicalidade das rimas de Killa P por longos e proveitosos minutos de uma melodia pouco explorada no cinema – usada, geralmente, apenas em filmes mais galhofa para exaltar algo descolado dentro da história. Em Patti Cake$ a música exalta não só o talento da protagonista, mas a felicidade que ela demonstra ao fazer aquilo que gosta.

Além disso, e que pode ser interpretado como principal acerto do filme, Patti Cake$ é contagiante e empolgante. A história tem seus momentos dramáticos, o que é normal, mas ela encanta quando o som começa a subir e aos versos vão fluindo em perfeita harmonia, dizendo muito mais do que aquilo que eles realmente estão falando. Não há complexidade em Patti Cake$, mas existe uma profundidade charmosa no filme, que agrega ainda mais qualidade a sua narrativa convencional.

Danielle Macdonald no filme Patti Cake$
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Por ser carismático e esbanjar personalidade nos seus personagens, que conquistam rapidamente o espectador e mesmo sendo um filme comum (até certo ponto), Patti Cake$ se distancia de ser só mais um clichê musical sobre rap. A produção simples é um charme a parte para quem gosta do cinema independente, e o tom lúdico de algumas cenas tornam a abordagem sonhadora do filme levemente pitoresca e fantasiosa. Tais elementos resultam em cenas muito bem vindas para Patti Cake$, um dos filmes mais saborosos de 2017 até aqui.

Danielle Macdonald ainda não tinha tido papéis de muito destaque na carreira, esta iniciada em 2010, mas Patti Cake$ deixa claro que não é só a sua personagem que é cheia de talento. A atriz é muito bem conduzida pelo diretor, que consegue extrair da atuação tudo aquilo que precisa para o filme, e Danielle não decepciona em momento algum, seja nas cenas mais exuberantes em que o talento da personagem é exaltado ou quando há a real necessidade de peso dramático – entregue com naturalidade pela atriz. O mesmo ainda serve para Mamoudou Athie (The Get Down) e Siddharth Dhananjay, que completam a formação final do PBNJ.

Patti Cake$ é uma jornada carismática bastante encantadora, e faz uma junção perfeita para quem gosta de consumir aquilo que o cinema independente tem de melhor e tem gosto por musicais. Há simplicidade em Patti Cake$, há elementos mais convencionais do que originais, mas nada disso surge como demérito a obra, que para o longa-metragem de estreia de um diretor, é muito satisfatório.

Avaliação

[yasr_overall_rating size=”medium”] (Ótimo)

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.