Crítica | Guardiões da Galáxia vol. 3

Despedida da formação original dos Guardiões da Galáxia nos cinemas acontece na hora certa, com maturidade e muita emoção.

Cena do filme 'Guardiões da Galáxia vol. 3'. | Imagem: Divulgação / Marvel.

Há 9 anos, James Gunn, até então um diretor pouco conhecido com destaque em filmes b, tornou um grupo de personagens desconhecidos em um grande sucesso. Os Guardiões da Galáxia não eram tão populares para o público, mas depois do filme lançado em 2014 passaram a ser alguns dos rostos mais queridos do Marvel Studios.

Aquele filme não apenas projetou esses personagens ao sucesso como também foi responsável por ditar como o núcleo cósmico do Universo Marvel seria desenvolvido. Visual, estética, texto, design e maquiagem eram alguns dos elementos que o primeiro filme deste grupo ajudou a consolidar na Marvel.

De lá para cá, além do segundo filme dos personagens, eles também fizeram outras participações, como em Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. E assim a presença deles no Universo Marvel tornou-os ainda mais queridos pelo público.

Não eram apenas personagens legais e divertidos, mas sim um grupo de unidades muito particulares que funcionavam bem juntos. O mérito, ou parte dele, era de James Gunn, cineasta que foi até demitido pela Marvel por conta de falas problemáticas do passado, mas que voltou para a casa das ideias e faz aqui o seu último ato ao lado dos Guardiões.

Desde o primeiro filme do grupo, Gunn mostrava que conhecia muito bem esses personagens e compreendia a mecânica desse grupo. De fato, o barato dos Guardiões da Galáxia era a forma leve e descontraída com que esses personagens percorriam as suas jornadas. Além disso, a trilha sonora foi um elemento marcante do primeiro e segundo filmes, e não seria diferente no volume três.

Imagem do filme Guardiões da Galáxia vo. 3
Cena de Guardiões da Galáxia vol. 3. | Imagem: Divulgação / Marvel.

Depois de Vingadores, Guardiões da Galáxia é sem dúvida a franquia interna mais bem-sucedida no Marvel Studios, mais até do que os filmes individuais do Capitão América (Chris Evans) e Homem de Ferro (Robert Dawney Jr.), por exemplo, que tem títulos não unânimes.

Com toda essa jornada percorrida pela equipe pouco conhecia dos Guardiões da Galáxia desde 2014, James Gunn e seus personagens chegam a este terceiro volume com maturidade e lucidez. É raro, mas acontece: uma história que sabe a hora de chegar ao fim e que entende o que precisa fazer com esses personagens.

Guardiões da Galáxia vol. 3, assim como seus antecessores, é um filme família, não apenas pela roupagem, linguagem e pelas cenas divertidas, mas principalmente porque os personagens entendem que é isso que representam e significam uns para os outros. Embora, assim como nos outros exemplares, haja uma história principal envolvendo um vilão, há também uma jornada individual para cada personagens.

A partir disso, o filme dá conta de levar cada um dos membros da equipe de um ponto A para um B, sendo a mudança individual visível no final da projeção. Para isso, o terceiro volume de Guardiões da Galáxia teve como coração Rocket Racoon (Bradley Cooper).

O guaxinim movimenta toda a trama do filme, causa impacto nos personagens e motiva-os a fazer aquilo que precisam para salvá-lo. Para a lógica do grupo de personagens, isso é mais do que suficiente, afinal, poucos acontecimentos desestabilizam tanto uma família como um ente em perigo.

Imagem do filme Guardiões da Galáxia vo. 3
Rocket Racoon (Bradley Cooper) em cena de Guardiões da Galáxia vol. 3. | Imagem: Divulgação / Marvel.

Além de toda a história, havia ainda o incremento da despedida. Desde o começo era muito claro que o volume três se tratava de um ato final. Então, o até logo ou adeus não poderia ter sido concebido de outra forma. Guardiões da Galáxia vol. 3 entrega aquilo que o público poderia esperar: diversão, aventura, emoção, uma playlist muito boa e um filme que abraça carinhosamente este espectador.

Embora tenha todo esse apelo emocional pelo grupo de personagens principais, Guardiões da Galáxia ainda cumpre o papel legítimo de ser um filme da Marvel. Com isso, dedica parte da sua história a ter pequenas ligações com o universo e sua posteridade. Adam Warlock (Will Poulter) é um desses elementos, assim como os Soberanos apresentados no segundo filme.

Adam Warlock, apesar de muito popular nas histórias em quadrinhos, pode ser pouco popular para o espectador comum. Não precisou de uma apresentação profunda, mas seu potencial ficou a quem da sua importância nas páginas das HQs.

Com isso, apesar do tom não parecer o ideal, as escolhas de Gunn se justificam pelo contexto do personagem: Adam Warlock foi gerado pelos soberanos dentro de uma incubadora, e saiu cedo demais do casulo. Ou seja, ele não estava pronto. E essa inexperiência e falta de tato ficam muito evidentes ao longo do filme.

Imagem do filme Guardiões da Galáxia vo. 3
Will Poulter como Adam Warlock em cena de Guardiões da Galáxia vol. 3. | Imagem? Divulgação / Marvel.

No entanto, estes personagens que orbitam na narrativa ficam soltos até demais. Quando aparecem fica a impressão de que o roteiro lembrou que eles existem e precisam de alguma conclusão. O mesmo serve para o vilão, que embora tenha ligações emocionais com Rocket, cumpre um papel comum de antagonista. Mas a Marvel, desde o começo, não ficou famosa por causa dos vilões.

Apesar disso, Guardiões da Galáxia vol. 3 finaliza uma era em seu auge individual dentro do Universo Marvel. É um filme que a própria casa das ideias precisava, afinal, poucos foram os acertos do estúdio desde Vingadores: Ultimato.

Com isso, Guardiões da Galáxia vol. 3 emociona o espectador por mérito próprio, pois construiu-se enquanto também conquistava o apego emocional dos fãs nos últimos 9 anos. Os acertos principais deste longa-metragem estão na maturidade e lucidez do roteiro, que entende de forma genuína para onde o Senhor das Estrelas, Gamora (Zoe Saldaña), Nebulosa (Karen Gillan), Mantis (Pom Klementieff), Groot (Vin Diesel), Drax (Dave Bautista), Rocket Raccoon e os outros personagens deveriam ir.

A missão de James Gunn foi cumprida, e o futuro desses personagens a Marvel pertence. Independente do que aconteça com eles, o importante é: Guardiões da Galáxia vol. 3 é um abraço longo e carinhoso.

Avaliação
Ótimo
8.5
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Sou jornalista, fundador e editor da Matinê Cine&TV. Escrevo sobre cinema e séries desde 2014. No jornalismo tenho apreço pelo cultural e literário, além de estudar e trabalhar com podcasts. Além dos filmes e séries, também gosto de sociedade e direitos humanos.