Diário de Uma Escrava, livro de Rô Mierling, faz analogia à violência sexual e psicológica

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Rô consegue ser visceral e verdadeira, não pede licença para o leitor e, em pouco tempo, nos torna reféns de seu universo sombrio.”
Kim Myers

É com essa frase que apresentamos o novo lançamento da DarkSide Books, O Diário de Uma Escrava de Rô Mierling. Um livro que nos tira da zona de conforto, entra em um mundo obscuro e questiona o lado negro das pessoas.

Baseado em fatos reais, a trama conta história de Laura, uma jovem garota sequestrada por um “homem comum”, que a partir desse fato  transformou-se em mais um número entre as 250 mil pessoas desaparecidas no Brasil, sendo que 40 mil são menores de idade – e meninas forçadas a serem objetos sexuais, perdendo sua perspectiva de vida e esperança de futuro. Estêvão (o sequestrador), é um psicopata com uma visão totalmente deturpada do sexo, um homem aparentemente bom, com família, trabalho e amigos, mas que esconde segredos assustadores. Sua fixação por garotas jovens, vêm de desejos consequentes de sua psicopatia quase esquizofrênica, já que afirma escutar uma voz que alega que ele é o único que pode dar aquilo que as meninas precisam: atos de abuso sexual e mental, que a voz alega ser uma demonstrações de “amor”. Essa fantasia doentia, o transforma em um caçador astuto que destrói vidas, famílias e sonhos, semeando dor e morte.

O livro, sendo a maior parte em forma de diário, acompanha mais de 4 anos da vida de Laura, onde ela é presa em um buraco escuro debaixo da terra, passando por adaptações, mudanças e um amadurecimento “forçado”, que durante sua tortura só pensava em buscar meios de sobrevivência e de uma possível liberdade. É um retrato duro, cruel, abominável, mas infelizmente corriqueiro no Brasil e em todo o mundo. Falando a realidade como ela realmente é, sem adaptações ou romantismo.

Laura é a representação das diversas mulheres que sofrem com diferentes tipos de abusos. Caladas, vivendo a sombra da sociedade por medo ou por não acreditar mais na bondade da humanidade. Menosprezadas por sua posição social ou por seu gênero sexual, onde seus abusadores são homens “acima de qualquer suspeita”, facilitando os desaparecimentos e os anos de tortura, sem punição aos culpados ou até mesmo a descoberta de suspeitos.

A autora, Rô Mierling, entende a importância de olhar com atenção a realidade do mundo. Por isso a riqueza de detalhes e sua fala crua e realista, tentando demonstrar através da literatura, como a mulher pode atingir “níveis degradantes através de situações impostas pelo homem e pela sociedade”. Usando a ficção para mostrar o sofrimento verdadeiro, ela tenta conscientizar a sociedade através do choque de realidade e do terror real, para demonstrar que o mal pode brotar em qualquer um de nós “como forma de alerta a respeito da vida não ser tão florida quanto se espera”.

Diário de Uma Escrava, é aquele tipo de livro que vale a pena ler e reler, pensar sobre o sofrimento de milhares de mulheres que não escolheram ser alvos de abusos, mas precisaram e precisam lidar com essas situações. Mulheres que só queriam viver uma vida feliz, ter uma família e um futuro. Será que Laura conseguiu voltar a “viver”?

Leia e descubra!

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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