Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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Depois de 5 anos do fim da Saga Harry Potter, o universo mágico criado por J.K. Rowling acaba de ganhar um novo membro: Animais Fantásticos e Onde Habitam. Dirigido por David Yates, com o roteiro da própria autora (Rowling) e produção do roteirista da saga Harry Potter, Steve Kloves, o novo longa tem como vantagem estes três nomes, que entendem muito bem o universo criado por J.K..

Apesar de deixar dúvidas sobre o que realmente trata o filme, Animais Fantásticos é em primeiro lugar uma extensão do Universo Mágico de Harry Potter. Não se trata de um prequel, na verdade é uma história separada dentro do mesmo universo. Animais Fantásticos e Onde Habitam cumpri muito bem o papel de expandir este universo aos antigos fãs da franquia, e assim como Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) tem a função de encantar e mostrar uma “fantasia fantástica” capaz de conquistar o público. Além de trazer a mesma função dos últimos filmes da saga: mostrar o terror e a gravidade do que realmente está acontecendo no momento, que neste caso são os ataques de Grindelwald (Johnny Depp) pela Europa.

A verdadeira proposta das criaturas no filme é de fascinar o público, além de funcionar como refúgio para a história principal do enredo. Uma das marcas da saga Harry Potter é ter sua narrativa explorando a aventura dos personagens em primeiro lugar, mas caminhando em paralelo com o verdadeiro problema. Isso também acontece em Animais Fantásticos e Onde Habitam com um ótimo tom de surpresa, deixando transparente suas intenções. Ao apresentar o vilão, o longa consegue uma boa reviravolta, mas descarta um personagem que funcionou muito bem ao longo do filme. Graves (Colin Farrell) é um dos pontos fortes de Animais Fantásticos e consegue ser eficiente ao representar uma grande ameaça. Por tanto, se havia algum desafio de apresentar uma história inédita e de qualidade, o mesmo foi vencido com facilidade pelo roteiro de J.K. Rowling.

Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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Newt Scammander (Eddie Redmayne) chega em Nova York finalizando sua expedição para enfim terminar seu livro sobre criaturas mágicas. Newt é um personagem diferenciado, tímido, suave e fechado, mas muito simpático e carismático. Eddie Redmayne, vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2015, dá vida ao personagem com quem os fãs mais se identificam. Com objetivos modestos, Newt acaba deixando um ar misterioso sobre suas verdadeiras intenções ao viajar para Nova York. Assim como ele os outros personagens também são encantadores – Jacob (Dan Fogler), Goldstein (Katherine Watson) e Queenie (Alison Sudol) são bons exemplos.

Newt e Jacob representam muito bem o público de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Newt vem do mesmo universo mágico que os fãs da saga Harry Potter já conhecem, representando os antigos admiradores da franquia. Jacob não conhece nada disso e representa o público comum, que está entrando em contato pela primeira vez com este universo. Por conta disso, o personagem, além de servir como alívio cômico, carrega a incumbência de receber os ensinamentos básicos sobre o universo mágico. E por fim, Goldstein apresenta a Magia na América, as suas diferenças com Londres (por exemplo o termo “não-maj” para os não bruxos) e o próprio Congresso Mágico dos Estados Unidos da América.

O filme também traz uma visão interessante dentro do contexto da época sobre racismo, discriminação, inclusão e abuso. Tudo isso fica claro ao longo da história, que aborda de uma forma dúbia o assunto e ambos os lados (MACUSA (Congresso Mágica do Estados Unidos da América) e os não-maj) acabam sendo preconceituosos – excluindo a chance de conciliação entre as partes.

Divulgação/ Warner Bros. Pictures
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Colin Farrel é um dos destaques do filme. Interpretando Graves, Farrell está fantástico e realiza muito bem o papel de antagonista. Ele traz um tom de mistério e mostra o “lado negro da força” em Animais Fantásticos e Onde HabitamEzra Miller tem um personagem desperdiçado com um arco complicado, mas mesmo com uma proposta interessante Credence não possui tempo para ser devidamente desenvolvido. Quando a ameaça é revelada, a ideia do que se trata a franquia fica mais evidente. Sendo assim, é possível ter um vislumbre de qual a verdadeira motivação de Gellert Grindelwald dentro da série de filmes. Porém, é difícil saber o que esperar do vilão e de Johnny Depp na história, pois uma aparição tão rápida não deixa tempo o suficiente para saber se essa escalação pode funcionar.

A mescla entre “luz e escuridão” traz um contraste ótimo ao roteiro de J.K. Rowling. O contraponto entre a aventura de caçar os animais e a eminente ameaça de Grindelwald encontram uma harmônia interessante ao misturar imprevisto e “terror” na narrativa. A direção de David Yates não acompanha o raciocínio dos fatos e se perde em alguns momentos. A sequência cheia de “desaparatos” quebra o ritmo do ápice de Animais Fantásticos no terceiro ato, mas acha a sua zona de conforto em cenas destrutivas bem representadas em planos abertos. E assim consegue destacar os ótimos efeitos visuais do filme.

Ainda há o que explorar no universo mágico da América, mas com certeza o mundo bruxo, iniciado em 2001 nos cinemas, começou a crescer. A ideia do filme é mostrar o “Universo Mágico” de Harry Poter em escala mundial, indo muito além da magia nos Estados Unidos. E isso abre grandes oportunidades criativas para a franquia.

Animais Fantásticos e Onde Habitam surpreende ao trazer personagens despretensiosos em uma trama profunda e multifacetada. Com o dedo de J.K. Rowling, que faz sua estreia como roteirista, o longa consegue achar tom, formato e equilíbrio entre história e personagens para sua nova franquia. 2016 termina como um ótimo ano para os fãs de Harry Potter.

Avaliação

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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