Especial Black Mirror – Uma dura crítica a Sociedade do Espetáculo

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“Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira”
Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira

“Às 4 horas desta tarde, o Primeiro Ministro deve estar ao vivo na TV britânica em todas as redes britânicas, terrestres e via satélite e praticar, sem fingimentos, coito com um porco.”

Black Mirror é sem dúvida uma das melhores séries da atualidade, cancelada em seu canal original ela foi resgatada pela Netflix e a partir de agora você vai conferir uma série de matérias especiais aqui no Matinê Cine&TV, sobre todos os episódios que tivemos nas duas temporadas da série.

Vocês precisam notar que Black Mirror é uma série com episódios independentes, ou seja, não tem uma história que perdura por uma temporada inteira. Temos episódios com o tão conhecido: começo, meio e fim. Então venham comigo nessa matéria especial porque a série é simplesmente genial.

O primeiro episódio começa com muito mistério, o Primeiro Ministro britânico Michael Callow recebe uma ligação urgente no meio da noite, e para sua surpresa, trata-se do sequestro da Princesa mais querida do Reino Unido. Até então vemos um episódio com uma temática normal, que já tínhamos visto em outras séries. Mas o que surpreende é o conteúdo de um vídeo que foi publicado no Youtube anonimamente, contendo imagens da Princesa Susannah em cativeiro e lendo uma lista de requisitos do sequestrador para que ela possa continuar viva.

É aqui que a série te surpreende e mostra muita ousadia. Um dos requisitos do sequestrador é que o Primeiro Ministro faça sexo com um porco ao vivo na televisão britânica às 4 horas da tarde. Você não leu errado! É simplesmente ousado e novo. Algo que eu, particularmente, jamais tinha visto na TV, cinema ou qualquer outro meio de comunicação.

É com base nesse pedido que o restante do episódio se desenvolve. Vemos um governo abalado, tentando recuperar sua princesa e falhando, o que só piora a situação e mostra até onde uma pessoa sob pressão – neste caso, o ministro – pode chegar, demonstrando vários sentimentos: medo, desespero e etc. O que chama atenção também é o modo que a série demonstra a reação do público e da mídia.

“Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira”
Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira

Vemos a população totalmente focada no assunto, comentando a todo o momento nas redes sociais a repercussão de todo o caso no mundo. A série nesse conceito faz uma dura crítica à sociedade atual, onde as pessoas estão mais interessadas em rir das coisas, de situações que para elas parece ser algo cômico, mas que no fundo está afetando negativamente alguém. Black Mirror também mostra como os meios de comunicação lidam com tais situações. Vemos jornais fazendo de tudo para conseguir notícias exclusivas, muitas vezes se colocando em risco de vida, como é o caso da repórter Malaika, que chega a levar um tiro de um agente das forças britânicas ao tentar capturar imagens de um possível resgate da Princesa.

Quanto mais o episódio se aproxima do final e das 4 horas da tarde, mais as coisas ficam complicadas para o Primeiro Ministro Michael. Com todo o mundo aguardando que ele faça sexo com um porco, ele passa por momentos de tensão tanto com o governo britânico e o público, que querem que ele realize o pedido para a Princesa ser libertada, mas também sofre com sua vida pessoal, já que a imagem dele e da sua esposa estão entrando para a história, com uma situação humilhante.

O destino do pobre Ministro é selado quando que por um erro de sua equipe, o sequestrador descobre que ele descumpriu uma de suas regras e como punição ele corta um dos dedos da Princesa e manda para uma rede de televisão local. Com isso e a soma de tantos outros erros e falhas na tentativa de salvar a Princesa. Às 4 horas da tarde se aproxima o governo obriga o Ministro a ir realizar o que o sequestrador pediu.

Enfim, às 4 horas da tarde do dia fatídico chega, toda a população de Londres se reuni em suas casas, locais de trabalho e bares para assistir o seu Ministro fazendo sexo com um porco. Fica claro nessa cena uma das críticas que a série faz a sociedade atual, e que eu disse mais para cima, onde as pessoas só estão interessadas em rir das coisas, não se importando se isto está afetando a vida de alguém negativamente. E uma cena muito chocante no final é quando vemos o Ministro Michael no chão do banheiro, após fazer sexo com um porco, vomitando e chorando, sem saber o que será dele e de sua vida.

“Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira”
Imagem: Arquivo Pessoal/Rubens Ferreira

No final de tudo a série mostra a cartada final: o sequestrador tinha libertado a Princesa Susannah 30 minutos antes de o Ministro realizar o ato sexual com o porco, nunca cortou o dedo da Princesa, e se suicidou. Tudo o que o Ministro sofreu foi somente uma demonstração do que uma pessoa pode fazer com a utilização da tecnologia, e o governo sabendo disto, esconde isso do público e até do próprio Ministro. Nos últimos minutos do episódio, somos transportados um ano no futuro e vemos como tudo seguiu depois do que o Ministro foi obrigado a fazer.

 A Princesa está seguindo sua vida normalmente, e aparentemente para o público, o Ministro e sua esposa estão seguindo em frente e levando uma vida normal, porém o que o público não sabe é que a relação do Ministro e de sua esposa foi totalmente destruída. Outro fato que devemos lembrar é que eles também noticiam a audiência que o Ministro trouxe para a televisão ao fazer sexo com um porco ao vivo: foram mais de 1,3 Bilhões de telespectadores, a maior da história do mundo. O que só reforça a crítica que já disse acima sobre a sociedade atual, ou a sociedade do espetáculo.

Com apenas um episódio, Black Mirror nos apresenta um roteiro único e cheio de críticas, que vai além de um simples entretenimento. Ele também serve para reflexão sobre quem nós somos, o poder da internet em difundir informações e como isso pode acabar com a vida de uma pessoa.

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Sou com certeza um viciado em séries. Gosto de todos os tipos. Minhas preferidas são Sense8, Séries da Marvel,Game of Thrones, Westworld e Outlander. Se tiver super-herói pode ter certeza que vou assistir.

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