Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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O gênero de comédia no Brasil está extremamente chato, e a formulá brasileira de fazer algo engraçado já está batida, tanto na TV como no cinema. Geralmente é sempre a mesma galhofa com um ator e comediante conhecido, que fica fazendo piadas ruins e mega forçadas em tela, junto de gritos e caretas bem ridículas. Sempre que uma comédia está para chegar nos cinemas precisamos rezar por algo bom e diferente, e graças a parceria entre Paris Filmes e Netflix, o diretor Caíto Ortiz conseguiu trazer novos ares para o gênero.

O roubo da taça Jules Rimet é um episódio triste para o esporte brasileiro, afinal era a taça de campeão mundial mais importante do futebol e foi a mais desejada na história das copas, e só o Brasil foi capaz de ganhar a original. E também só o Brasil foi capaz de deixar que a taça fosse roubada. Partindo dessa premissa, combinada com a malandragem e boêmia carioca da década de 1980, agregada ao fato de que o malandro sempre quer ter e dar do bom e do melhor para a sua mulher, que começamos os principais motivos para que tal fato acontecesse. Combinado com uma pequena divida, básica, de jogo, é claro.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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O Roubo da Taça tem uma direção artística muito boa, revitaliza muito bem os atores que estão envolvidos com o projeto. O nome que destaco, primeiro, é o de Taís Araújo, uma das ótimas atrizes que temos que também é estragada pela TV. Em Mister Brau, onde interpreta Michele, é visível o desperdício do talento dela, e do marido Lázaro Ramos, em algo completamente batido e cansativo, que resume bem a narrativa da série. Mas além de estar lindíssima, Taís tem uma atuação ótima, que agrega muito no contexto da construção das motivações de Peralta, o malandro que roubou a taça junto com um amigo. Essa contextualização que me refiro, é o o que move Peralta, em um primeiro momento, pois é aquele clichê antigo do homem só se sentir homem quando dá tudo do bom e do melhor para a sua musa, além dos seus próprios caprichos “domésticos”.

O que mais gosto em O Roubo da Taça é que a história flui naturalmente, não há nada forçado, não existe aquela fórmula brasileira de sitcon, onde o roteiro faz piadas forçadas só para as pessoas rirem, isso não existe no filme. A história simplesmente vai acontecendo, fatos engraçados acontecem, mas você (público) fica completamente a vontade, pode rir ou não, mas nada que incomode, nada que force a barra. Além disso o ritmo dos fatos é ótimo também, o longa é bem divido entre seus atos e acontecimentos, que tem uma narrativa bem interessante sobre o dia-a-dia do trabalhador, Peralta, que é um “simples” corretor de seguros.

Imagem: Divulgação/ Paris Filmes
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Mesmo que a história seja boa, ela não é 100% do que realmente aconteceu, na verdade O Roubo da Taça é praticamente uma sátira, mas nada muito escrachado ou farofento. É uma comédia bem inteligente, e que por sinal soube muito bem trabalhar os personagens e teve uma grande ajuda nisso, que foi a de Paulo Tiefenthaler (Peralta). O ator vive um papel na novela das 19:00, na Globo, Haja Coração, onde o personagem, assim como a maioria da novela, é chato, nada engraçado. Mas quando você Paulo no longa, não dá para dizer que é o mesmo ator, pela tamanha diferença de qualidade da atuação e da composição do personagem, que é sensacional. Peralta carrega todo o filme nas costas, porque a história se refere a ele, a tudo aquilo que está em sua volta, tudo aquilo que ele faz e vive durante o seu dia-a-dia. A construção do malandro feita por Paulo Tiefenthaler está ótima, ele tem a lábia ao pé do ouvido bem feita, aquela fala carioca malandramente escorregadia e encarna muito bem o personagem da década de 1980.

Aliás, a fotografia do filme, como todos os detalhes técnicos visuais de O Roubo da Taça chamam muito a atenção, o filme todo é muito bonito. As roupas usadas são ótimas, aquela coisa do homem trabalhar sempre com a camisa com dois botões abertos, a correntinha de ouro, a pulseira dourada, e tudo isso só no sapatinho. Com uma ótima história, desenvolvida de forma bem natural, com elementos simples, bons atores e personagens O Roubo da Taça, consegue, graças a deus, ser uma boa comédia nacional, fugindo da galhofa que estamos acostumados a assistir.

O longa dirigido por Caíto Ortiz ainda conta coma participação especial do grande papai brasileiro, Mr. Catra, e no elenco ainda temos ele, que nunca pode faltar em um filme nacional: Milhem Cortaz. A estreia é nesta quinta-feira (08) nos cinemas nacionais, mas desde a última sexta-fera O Roubo da Taça já está disponível na Netflix.

 

Nota do autor para o filme:

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Criador da Matinê, está no 4º semestre do curso de jornalismo no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter. Aqui escrevo sobre filmes e séries a partir da minha perspectiva de mundo, sem medo de mostrar a todos o meu entendimento pessoal daquilo que assisto. O debate de pontos de vistas diferentes é livre, e sempre bem-vindo.