Crítica | Bright

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Will Smith e Joel Edgerton em Bright, filme da Netflix
Divulgação/Netflix

A Netflix está certa em continuar apostando na produção de filmes originais, mas é evidente que a maturidade criativa que o serviço streaming apresenta para suas séries não é a mesma que os seus longas trazem para a tela. Bright é sem dúvida uma aposta ousada, pela história que mescla realismo e fantasia, como também pelo diretor, recém saído do fracasso de crítica e bem sucedido comercialmente Esquadrão Suicida.

Bright é inegavelmente uma mistura conceitual de filmes que deram certo, de Bad Boys (também estrelado por Will Smith) até mesmo com uma pitada de Máquina Mortífera. No entanto a qualidade de Bright, mesmo que boa, não se assemelha aos recém citados. Muito disso é por causa da execução narrativa, que não sabe aproveitar as boas ideias do filme, que mostra discussões muito mais interessantes do que a própria história de proteger uma elfa (Takki) de um grupo de extremistas que queriam trazer um mago das trevas de volta ao mundo.

O problema da trama principal é que mesmo sabendo da seriedade do assunto, o filme não transmite um senso de perigo quanto a volta do todo poderoso Senhor das Trevas. Tal perigo pode ser sentido em relação à dupla de protagonistas, pois com o mínimo de empatia é possível se importar com eles enfrentando as ruas perigosas da Cidade dos Anjos. Apesar de combinar decentemente o mundo real com os elementos fantásticos, Bright faz com que a realidade imposta pelas ruas de uma Los Angeles pouco amigável seja mais interessante que qualquer profecia proferida pelos personagens.

A impressão que fica é: se Bright se propusesse a discursar sobre as diferenças sociais, culturais e a falta de tolerância entre as raças o filme seria muito melhor sucedido. Dos discursos de ódio ao Orc policial, passando pelo sistema corrupto da polícia local, indo até a intolerância racial, tudo isso, mostra o potencial que Bright tinha de ser algo maior do que realmente é. Entretanto, o que David Ayer quis fazer era uma aventura policial noturna, o que mostra uma certa obsessão do diretor em não aceitar a falha que foi Esquadrão Suicida – mesmo que grande parte da culpa não seja exatamente dele.

Apesar de deixar a desejar, Bright funciona como entretenimento. É divertido em alguns momentos, empolgante nas cenas de ação bem dirigidas, além de ser constantemente embalado por uma ótima trilha sonora. Bright é bem montado, não tem nada de Frankenstein, mas não chega ao ponto de ser beleza pura. Os efeitos visuais são bem resolvidos, a maquiagem é aceitável e a fotografia reforça a sombra que Esquadrão Suicida deixou em cima do diretor.

O roteiro não é tão bem ajustado, é auto explicativo em excesso ao se importar com elementos que não precisam de explicação, deixando de lado alguns pontos importantes da mitologia que é estabelecida. Tudo isso ainda parece feito de propósito, pensando na sequência já anunciada. Com um viés que tende ao lado do planejamento futuro, deixar pontas soltas é sempre uma boa saída. Mas quando isso reflete negativamente na amarração da história, o mesmo acaba sendo ruim para o longa.

Joel Edgerton em Bright, filme da Netflix
Divulgação/Netflix

Will Smith e Joel Edgerton convencem, apresentam boa química durante o filme e fazem com que a dupla Ward e Jakoby funcionem. Porém, não há nenhuma novidade nisso, ou seja, tudo que vemos um Bright também já foi visto em algum outro lugar. David Ayer consegue dirigir bem as cenas de ação, há algumas visualmente atraentes, mas nada extraordinário. Bright não será uma sombra na carreira de Ayer, mas deixa evidente que o diretor escolheu o caminho mais fácil para conceber essa história, em que o próprio roteiro não percebeu que tinha em mãos uma trama muito mais interessante do que mais um filme de dupla policial para o divertimento alheio.

Bright é divertido, por vezes até interessante, mas se resume apenas a uma aventura noturna adulta inserida em um mundo real e violento, que talvez não precisasse se apoiar na fantasia como um recurso diferencial que pouco agregou ao filme – já que o longa resolve usar a parte menos interessante desse recurso para conduzir a história principal.

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Comentários

Editor-chefe e criador da Matinê Cine&TV. Fã de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos, Star Trek, Star Wars, Marvel, DC Comics. Na TV The Walking Dead, Shameless, Jessica Jones, The Handmaid’s Tale, entre outras, são algumas das suas favoritas.

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